terça-feira, 23 de novembro de 2010
Estamos de Volta!
O início do ano lectivo é sempre um pouco atribulado. Os técnicos dos Centros de Recursos para a Inclusão têm sempre de aguardar a aprovação dos Planos Operacionais para poderem retomar os trabalhos. Este ano começámos com algum atraso e tem sido um pouco atribulado. Houve alguns cortes nomeadamente na valência de Fisioterapia, uma notícia pouco favorável para os nossos meninos. Por isso, temos reunido esforços para que a Kika, o Porco Espinho e outros alunos com necessidades educativas especiais tenham o plano de intervenção que, dentro do possível, responda da melhor forma ao que precisam. Por isso não tem sido fácil, trazer-vos novidades.
Porém, já estamos a preparar as próximas publicações, pois desejamos que este blogue não perca a força que teve no início.
Até breve!
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Bom regresso!
Antes de mais, quero desejar à Kika e ao Porco Espinho (e a todos os nossos meninos) um excelente regresso à escola!
Também gostávamos de saber como foram vossas as férias. Ficamos a aguardar notícias!
Em Julho tentámos deixar aqui algumas sugestões de férias para crianças e adolescentes com mobilidade reduzida, mas não foi tarefa fácil. Lanço aqui esse desafio, quem souber de actividades para férias, fins-de-semana ou tempos livres, deixe aqui as sugestões.
Até breve!
domingo, 18 de julho de 2010
Colónia de férias para crianças com necessidades especiais
A Colónia de Férias do Lar Militar da Cruz Vermelha Portuguesa destina-se a crianças dos 3 aos 10 anos com perturbações do desenvolvimento.
Este serviço pretende apresentar-se como uma opção de ocupação dos tempos livres destas crianças com necessidades especiais, incluindo actividades de carácter desportivo, lúdico, cultural e pedagógico que estimulam o desenvolvimento global.
O programa da colónia decorre no mês de Agosto (normalmente nas duas primeiras semanas de Agosto) nas instalações do Lar Militar, no Lumiar, em Lisboa, de segunda a sexta-feira, entre as 9 e as 17 horas.
As inscrições só serão formalizadas após entrevista com a criança e a respectiva família.
Existe limite de inscrições e dá-se prioridade aos utentes da piscina e do ginásio de psicomotricidade.
Para mais informações:
sábado, 17 de julho de 2010
O que é a Paralisia Cerebral?

A Paralisia Cerebral é uma perturbação do controlo da postura e do movimento que resulta de uma anomalia ou lesão não progressiva que atinge o cérebro em desenvolvimento.
Em cada 1000 bebés, em média dois serão afectados por Paralisia Cerebral.
Há um enorme espectro de gravidade. Algumas crianças terão perturbações ligeiras, quase imperceptíveis. Outras terão grave incapacidade, sendo totalmente dependentes nas actividades da vida diária.
A Paralisia Cerebral pode ser classificada de acordo com a natureza da perturbação do movimento que predomina:
Espástica – Caracterizada por um aumento do tónus muscular com limitação da capacidade de relaxamento muscular da região envolvida. De acordo com as partes do corpo envolvidas a Paralisia Cerebral espástica é classificada como: hemiparésia- afectando o membro superior e inferior do mesmo lado do corpo (hemiparésia esquerda ou hemiparésia direita); diplegia - Ambos os membros inferiores estão predominantemente envolvidos; tetraparésia - Em que são atingidos os quatro membros e o tronco.
Atetose/Distonia – Caracterizada pela presença de movimentos e posturas involuntários.
Ataxia – O quadro clínico é dominado pela perturbação da coordenação e do equilíbrio.
Problemas associados:
Para além das perturbações motoras, são frequentes nas pessoas com Paralisia Cerebral: atraso cognitivo, perturbações visuais e auditivas, epilepsia, dificuldades de aprendizagem e défice de atenção. Nas formas tetraparéticas são ainda comuns dificuldades alimentares, perturbações nutricionais e infecções respiratórias.
As alterações motoras da Paralisia Cerebral aumentam ainda o risco de patologia ortopédica secundária.
Quais são as causas de Paralisia Cerebral?
Numa grande parte dos casos as causas estarão presentes antes do nascimento da criança (causa pré-natal). Destas, algumas crianças nascem com malformações cerebrais que podem ser o resultado de exposição a tóxicos ou infecções durante a gravidez.
As lesões cerebrais podem instalar-se durante ou pouco tempo após o nascimento (causa peri-natal). Em maior risco destas lesões encontram-se os prematuros (principalmente grandes prematuros), os recém-nascidos de muito baixo peso de nascimento, os que têm asfixia grave ao nascer, os que sofreram hemorragias cerebrais.
As principais causas de Paralisia Cerebral após o nascimento (pós-natal) são a asfixia, os traumatismos cranianos, e as sequelas de infecções afectando o cérebro.
Num grande número de casos não é possível, actualmente, determinar a causa da Paralisia Cerebral.
O diagnóstico e o prognóstico da Paralisia Cerebral:
O diagnóstico de Paralisia Cerebral é habitualmente suspeitado pela associação de atraso na aquisição das competências motoras e alterações do tónus muscular, reflexos e padrões de movimento.
Nos primeiros meses de vida é por vezes difícil estabelecer o diagnóstico e o prognóstico (previsão das limitações que a criança terá no futuro), sendo por vezes necessário aguardar alguns meses até que possam ser assumidos com segurança.
A Paralisia Cerebral resulta de perturbações cerebrais de natureza não progressiva pelo que a perda de capacidades (regressão) não é característica da Paralisia Cerebral.
Fonte: http://www.apc-coimbra.org.pt/
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Outras Modalidades - Crise chega ao desporto adaptado - RTP Desporto, Vídeo
Não será "apenas" um reflexo da crise. Penso que o desporto adaptado sempre esteve à margem dos financiamentos, apesar de ser talvez a maior fonte de troféus portugueses em competições internacionais...
sexta-feira, 18 de junho de 2010
A Espera (Mensagem do Pai do Porco Espinho)

"No caso do Porco-Espinho pelo que consigo perceber até agora, não existiam exames específicos para determinar com exactidão a doença dele.
Cedo se percebeu que havia qualquer coisa que não estava bem, eu e mãe corremos médicos de varias especialidades, mas nenhum conseguia explicar ao certo o que se passava.
É então que peço ajuda a um amigo do meu pai, ligado à medicina desportiva, porque o meu filho apresentava sinais que revelavam dificuldade de motricidade.
Choque Nº1:
Nunca me tinha passado pela cabeça que fosse um problema neurológico. Nem fazia ideia do que se tratava. Somos encaminhados para uma clínica para fazer um exame chamado Electromiografia.
Acho que pelo medo de saber mais, cometi um erro grande. Escolhi ficar na ignorância e não sabia em que consistia ao certo o exame. É um exame doloroso, que recomenda preparação, coisa que não aconteceu neste caso. Passaram cerca de 7-8 anos e ele não esqueceu. Nem eu.
Depois disso iniciamos a consulta com um especialista em Neurologia que o tem seguido até hoje.
Choque Nº2:
O Porco-Espinho apresenta traços duma “gama” de doenças chamadas Miopatias. Isso foi revelado pelo exame acima referido. Pela observação médica e da forma como ele se movimentava, aparece a suspeita que dentro dessa “gama”poderia ser uma Distrofia Muscular, na sua forma mais comum Distrofia muscular de Duchenne.
Eu queria usar uma palavra mais suave, mas não consigo. O terror instalou-se. Eu que sempre usei a internet como forma de aprender mais, dei por mim a não querer ver mais informação de tão assustado que estava. Cada coisa que lia era pior que a outra, a informação era escassa e dispersa. A própria médica não nos dizia muito, presumo que por não ter também certezas.
À data, o exame que se fazia para despiste dessa doença, consistia em fazer uma biopsia muscular, que implicava uma anestesia geral. Uma intervenção simples. Desta eu acho que ele não se lembra.
Perdi a noção do tempo. Não me lembro quanto tempo demorou entre falar e fazer esse exame. Nem sei bem ao certo quanto tempo demorou os resultados. Eu achava que tinham sido 3 meses, mas já me disseram que foi menos. Não é relevante de qualquer modo.
O que é relevante, e é por isso que chamo a este texto, “A Espera”, foi o que me aconteceu nesse período de tempo. O tempo que esperei pelo pior.
Eu não sou psicólogo, e até acho que conheço bastante mal a natureza humana, mas calculo que muitas pessoas que esperam pelo resultado dum exame desta importância sintam o mesmo. Preparamo-nos para o pior.
Tornei-me uma pessoa pessimista, trágica e esse é um erro grande que partilho. Partilho porque acho que conseguir que alguém que leia isto e não o cometa, já valeu a pena.
Onde eu quero chegar, é que estar preparado para o pior, não me permitiu depois estar preparado para o melhor. Demorei demasiado tempo a sair desse bloqueio. Como isso prejudiquei-me e pior, prejudiquei o meu filho.
Hoje, eu escolho ver o que de melhor ele tem. Demorei, mas aprendi. A ver o lado positivo das coisas, das pessoas. E foi com ele que mais aprendi.
Correu mal? Não faz mal. Amanhã corre melhor. E se não for amanha, é um dia destes.
Pai do Porco-Espinho"
